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Páscoa em Portugal: Tradições, Gastronomia e Receitas Típicas

A Páscoa é uma das festividades mais enraizadas no calendário português. Em 2026 celebra-se a 5 de Abril e, como todos os anos, as semanas que a antecedem enchem as padarias de folar, os talhos de borrego e as mesas de família de um cheiro inconfundível a bacalhau e especiarias. Mas a Páscoa portuguesa é muito mais do que comida — é ritual, partilha e memória colectiva.

A Semana Santa em Portugal

A Semana Santa começa no Domingo de Ramos e culmina no Domingo de Páscoa. Em muitas localidades — sobretudo no interior, como Braga, Évora e Óbidos — realizam-se procissões solenes que percorrem as ruas em silêncio. A Procissão do Senhor Morto, em Braga, é a mais antiga e imponente, com figurantes em trajes históricos e a longa fila de penitentes encapuzados.

A Quinta-Feira Santa e a Sexta-Feira Santa (feriado nacional em Portugal) são os dias de maior recolhimento. Nas famílias mais tradicionais, a carne está proibida na Sexta-Feira Santa — entra o bacalhau.

O bacalhau da Sexta-Feira Santa

Em Portugal, a Sexta-Feira Santa e o bacalhau são inseparáveis. O prato mais comum é o bacalhau cozido com todos — bacalhau, batata, grão-de-bico, couve e ovo cozido, regado com azeite e vinagre. Simples, austero, perfeito para o espírito do dia.

Quem prefere algo mais elaborado, o bacalhau com natas ou o bacalhau assado no forno com batatas são escolhas muito populares nas mesas portuguesas nesta época.

O borrego assado do Domingo de Páscoa

Se a Sexta-Feira Santa pertence ao bacalhau, o Domingo de Páscoa pertence ao borrego. O borrego assado no forno — inteiro ou em perna — é o prato festivo por excelência. Temperado na véspera com alho, pimentão doce, vinho branco e ervas aromáticas, assa lentamente até a pele ficar estaladiça e a carne desprender do osso.

No Alentejo, a tradição vai mais longe: o borrego é assado em forno de lenha e acompanhado de açorda ou migas. No norte do país, as costeletas de borrego grelhadas também marcam presença na mesa da Páscoa.

O folar: o pão doce da Páscoa

O folar é o símbolo mais reconhecível da Páscoa portuguesa. Existe em duas versões distintas:

Cada região tem a sua receita própria. O folar de Valpaços, o de Chaves e o de Podence têm denominação geográfica protegida.

As amêndoas da Páscoa

Em Portugal, a Páscoa tem cheiro a amêndoa. As amêndoas cobertas de açúcar — brancas, cor-de-rosa, amarelas ou lilás — são o presente tradicional da época. Vendidas em saquinhos e caixinhas, são oferecidas entre familiares e amigos como símbolo de renovação e boa sorte.

A tradição tem raízes na doçaria conventual portuguesa e está particularmente associada a regiões como o Algarve e o Alentejo, onde a amendoeira floresce em pleno inverno, anunciando a chegada da primavera.

As sobras da Páscoa: não se desperdiça nada

A cozinha portuguesa tem uma filosofia profunda de aproveitamento. As sobras do borrego da Páscoa transformam-se em pratos igualmente nobres — o arroz de borrego, a canja de borrego ou os bolinhos fritos são formas de prolongar o prazer da festa por mais uns dias.

A Páscoa para os mais novos

Para as crianças, a Páscoa é tempo de caça aos ovos, de coelhinhos de chocolate e de músicas alegres. Os canais infantis portugueses têm produções especiais para esta época, com canções sobre o coelho da Páscoa, os pintainhos e a chegada da primavera.

Explore mais receitas e tradições portuguesas

A Páscoa é o momento do ano em que a gastronomia portuguesa se mostra na sua dimensão mais familiar e generosa. Para descobrir mais receitas e vídeos sobre a cozinha de Portugal, visite a nossa secção de Gastronomia com os melhores canais portugueses de culinária — de receitas do dia-a-dia a pratos de festa.