← Artigos · Cultura · 17 de Março de 2026 ·
História de Portugal: Do Condado Portucalense ao Século XXI
Perceber a história de Portugal é fundamental para compreender a sua língua, a sua cultura e o seu povo. Portugal é um dos países mais antigos da Europa (as suas fronteiras estão praticamente inalteradas desde o século XIII) e a sua história moldou profundamente a língua e a identidade nacionais.
As origens: antes de Portugal (séc. I a.C. – séc. XI)
Antes de Portugal existir como país, o território foi habitado por Celtas, Iberos, Fenícios, Gregos e Cartagineses. A romanização (a partir de 218 a.C.) deixou marcas profundas na língua: o português descende directamente do latim vulgar trazido pelos romanos. As invasões germânicas (Visigodos, séc. V) e a ocupação mourisca (a partir de 711) também deixaram vestígios no vocabulário português.
O nascimento de Portugal (1139–1249)
Portugal nasce como Condado Portucalense em 1096, concedido por Afonso VI de Leão e Castela ao seu genro Henrique de Borgonha. É o filho de Henrique, Afonso Henriques, que conquista a independência. A Batalha de Ourique (1139) tornou-se o mito fundador, onde Afonso Henriques derrotou cinco reis mouros e se proclamou Rei de Portugal. Em 1143, o Tratado de Zamora reconhece a independência. Em 1179, o Papa reconhece Portugal como reino.
A Reconquista (a recuperação do território aos mouros) completa-se em 1249, com a tomada do Algarve por Afonso III.
A era das Descobertas (séc. XV – séc. XVI)
O período mais determinante da história portuguesa e uma das maiores revoluções da história humana. Portugal liderou a Expansão Marítima Europeia graças a uma combinação de tecnologia náutica avançada (a caravela), conhecimento científico e ousadia.
- 1415: Conquista de Ceuta. O início do Império.
- 1488: Bartolomeu Dias dobra o Cabo da Boa Esperança.
- 1498: Vasco da Gama chega à Índia. A rota das especiarias abre-se.
- 1500: Pedro Álvares Cabral chega ao Brasil.
- 1519-1522: Fernão de Magalhães/Elcano completa a primeira volta ao mundo.
No auge do Império, Portugal controlava territórios na Europa, África, Ásia e América. Lisboa tornou-se a cidade mais rica da Europa. É desta época que data Os Lusíadas de Camões, a epopeia que celebra as Descobertas e que pode ler gratuitamente aqui.
A União Ibérica e a decadência (1580–1640)
Com a morte de D. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir (1578) e a extinção da linha directa de sucessão, Filipe II de Espanha une as coroas ibéricas (1580–1640). Portugal mantém as suas instituições mas perde independência política. O período é marcado pela perda de rotas comerciais para a Holanda e Inglaterra.
Em 1640, a Restauração da Independência, liderada por D. João IV, devolve a soberania portuguesa, selada pelo Tratado de Lisboa (1668) com Espanha.
O século XVIII: o Marquês de Pombal e o terramoto
O Terramoto de Lisboa de 1755 (1 de Novembro, dia de Todos os Santos) destruiu grande parte da cidade e matou entre 30.000 e 40.000 pessoas. A reconstrução foi liderada pelo Marquês de Pombal, primeiro-ministro de D. José I, que em poucos anos reconstruiu Lisboa com a célebre Baixa Pombalina, um dos primeiros exemplos de planeamento urbano moderno.
O liberalismo e a monarquia constitucional (séc. XIX)
Portugal acompanhou as revoluções liberais europeias. A Revolução Liberal de 1820 instaurou a monarquia constitucional. O século XIX é marcado por instabilidade política, guerras civis (liberais vs absolutistas) e pela perda do Brasil (independência em 1822). É também o século do grande realismo literário, com Eça de Queirós e Camilo Castelo Branco, cujas obras estão disponíveis em PortuguesPortugal.pt/livros/.
A República e o Estado Novo (1910–1974)
A Implantação da República em 5 de Outubro de 1910 pôs fim à monarquia. A Primeira República (1910–1926) foi marcada por instabilidade. Em 1926, um golpe militar instaurou uma ditadura que, com António de Oliveira Salazar a partir de 1932, se transformou no Estado Novo, um regime autoritário, conservador e corporativista que durou até 1974.
O Estado Novo manteve o Império colonial quando outros países europeus descolonizavam. As guerras coloniais em Angola, Moçambique e Guiné (1961–1974) desgastaram o regime.
A Revolução dos Cravos e a democracia (1974–hoje)
A Revolução do 25 de Abril de 1974, conhecida como a Revolução dos Cravos, foi um golpe militar que derrubou o Estado Novo e instaurou a democracia. É o momento mais marcante da história portuguesa contemporânea. A descolonização acelerada levou ao regresso de cerca de 600.000 portugueses das ex-colónias (os "retornados").
Portugal integrou a Comunidade Europeia em 1986, o que transformou profundamente a economia e a sociedade. A Expo 98 em Lisboa foi um símbolo da modernização do país.
Hoje, Portugal é um dos destinos mais atractivos do mundo, com uma das maiores diásporas per capita: portugueses emigrados em França, Suíça, Reino Unido, Brasil e muitos outros países. A língua portuguesa é falada por mais de 260 milhões de pessoas em todo o mundo.
PortuguesPortugal.pt