← Artigos · Gramática · 2 de Julho de 2026 ·
Frases Relativas em Português Europeu: 'Que', 'Quem' e 'Cujo'
As frases relativas em português europeu são estruturas gramaticais essenciais para quem quer comunicar com fluência e precisão. Através dos pronomes relativos que, quem e cujo, é possível ligar orações, enriquecer frases e evitar repetições desnecessárias — competências indispensáveis a partir do nível B1/B2.
Neste artigo, exploramos, passo a passo, o funcionamento de cada um destes pronomes relativos, com exemplos retirados do uso quotidiano em Portugal, para que possas aplicá-los com confiança nas tuas conversas e escritos.
O que são frases relativas?
Uma frase relativa (também chamada oração relativa) é uma oração subordinada que modifica um nome ou pronome — o chamado antecedente. Funciona como um adjectivo: acrescenta informação sobre alguém ou algo já mencionado na frase.
Considera estes dois exemplos:
- Vi um filme. O filme foi rodado em Lisboa.
- Vi um filme que foi rodado em Lisboa.
No segundo exemplo, a frase relativa introduzida por que substitui a repetição do nome «filme» e torna a frase mais fluida e natural. Em português europeu, os pronomes relativos mais utilizados são três: que, quem e cujo. Cada um tem regras específicas que importa dominar.
O pronome relativo «Que»
Que é, de longe, o pronome relativo mais comum do português europeu. É invariável — não muda de forma consoante o género ou o número — e pode referir-se tanto a pessoas como a coisas, o que o torna o mais versátil dos três.
Usos principais de «que»
- Sujeito da oração relativa: O aluno que chegou atrasado pediu desculpa.
- Complemento directo: O livro que comprei ontem já está esgotado.
- Com preposição: A cidade em que nasci fica no Alentejo.
Quando que surge depois de uma preposição, a construção é mais formal e cuidada. Na linguagem oral e informal, os portugueses tendem a preferir estruturas mais soltas, como «A cidade que nasci lá» — uma construção coloquial muito frequente, mas que deve ser evitada na escrita formal.
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Orações relativas explicativas vs. determinativas
É importante distinguir dois tipos de orações relativas em português:
- Determinativa (sem vírgulas): restringe o antecedente e é essencial ao significado. Ex.: Os alunos que estudaram passaram no exame.
- Explicativa (entre vírgulas): acrescenta uma informação acessória, não restritiva. Ex.: O meu irmão, que vive no Porto, vai casar em Setembro.
A distinção nem sempre é marcada na fala espontânea, mas é fundamental na escrita cuidada e em contextos formais.
O pronome relativo «Quem»
Ao contrário de que, o pronome quem refere-se exclusivamente a pessoas ou entidades personificadas. É igualmente invariável e usa-se geralmente precedido de preposição, ou quando é sujeito de uma oração relativa explicativa.
Quando usar «quem»
- Com preposição, referindo-se a pessoas: A professora com quem falo é excelente.
- Em orações explicativas: O João, a quem todos admiram, recebeu um prémio.
- Em expressões generalizantes: Quem muito fala, pouco faz. (equivale a «aquele que»)
Na língua falada, é muito comum usar que em lugar de quem, mesmo quando se fala de pessoas: «A professora que falo» em vez de «A professora com quem falo». No entanto, em contextos formais e na escrita, recomenda-se o uso correcto de quem acompanhado da preposição adequada.
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O pronome relativo «Cujo»
Cujo é o pronome relativo que mais dificuldades levanta aos aprendentes de português europeu. Ao contrário de que e quem, cujo concorda em género e número com o nome que o segue — e não com o antecedente. Esta é a regra mais importante, e também a que é mais frequentemente ignorada.
Formas de «cujo»
- cujo — masculino singular: O escritor cujo livro li foi premiado.
- cuja — feminino singular: A arquitecta cuja obra admiro vive em Lisboa.
- cujos — masculino plural: O músico cujos álbuns colecciono acaba de lançar um novo disco.
- cujas — feminino plural: A empresa cujas políticas seguimos está a crescer.
Cujo exprime uma relação de posse ou pertença entre o antecedente e o nome que o acompanha. É equivalente a «de quem», «do qual» ou «da qual», mas com uma construção mais elegante e concisa, preferida em registos formais e literários.
Erros comuns com «cujo»
O erro mais frequente é intercalar o artigo definido entre cujo e o nome seguinte. Em português europeu cuidado, a forma correcta é:
- Correcto: O aluno cujo pai é médico ficou em primeiro lugar.
- Incorrecto: O aluno cujo o pai é médico ficou em primeiro lugar.
A intercalação de artigo é um hipercorrectismo a evitar. Outro equívoco comum é fazer concordar cujo com o antecedente em vez de com o nome que lhe segue imediatamente — o que está errado e compromete a correcção da frase.
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Comparação e dicas práticas
Para consolidar a aprendizagem das frases relativas em português europeu, vale a pena ter em mente uma síntese simples:
- Que → para pessoas e coisas; invariável; o mais versátil e frequente.
- Quem → exclusivamente para pessoas; requer preposição na maioria dos casos.
- Cujo / cuja / cujos / cujas → exprime posse; concorda com o nome seguinte, não com o antecedente.
Uma estratégia útil para verificar se estás a usar cujo correctamente é substituí-lo pela expressão «de quem» ou «do qual / da qual» e confirmar que a frase mantém o sentido. Por exemplo: «A escritora cuja obra mais aprecio» → «A escritora de quem mais aprecio a obra». Se funcionar, a construção com cuja está correcta.
No que diz respeito a que e quem, a chave está no antecedente: se for uma coisa, usa-se que; se for uma pessoa e houver preposição, prefere-se quem. Em registos informais, que tende a substituir ambos — mas conhecer a norma culta permite sempre fazer escolhas conscientes.
Frases relativas no discurso real
O domínio das orações relativas em português europeu não se limita à gramática de sala de aula. Estas estruturas aparecem constantemente em textos jornalísticos, literários e na conversa quotidiana. Saber usá-las bem é um sinal claro de fluência e permite construir um discurso mais coeso e sofisticado.
À medida que avançamos nos níveis de proficiência — nomeadamente B2 e C1 —, espera-se que os aprendentes dominem não só as formas básicas de que e quem, mas também construções mais elaboradas com preposições, e o uso preciso de cujo em contextos formais. A prática de leitura extensiva em português europeu é, por isso, um complemento indispensável ao estudo gramatical.
Conclusão
As frases relativas em português europeu são uma ferramenta poderosa para tornar a comunicação mais rica, precisa e natural. Compreender as diferenças entre que, quem e cujo — e saber aplicá-los nos contextos correctos — é um passo fundamental na progressão linguística de qualquer aprendente. Com prática regular e atenção às nuances da língua, estas estruturas tornar-se-ão cada vez mais intuitivas e fluentes.
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