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Frases Relativas em Português Europeu: 'Que', 'Quem' e 'Cujo'

As frases relativas em português europeu são estruturas gramaticais essenciais para quem quer comunicar com fluência e precisão. Através dos pronomes relativos que, quem e cujo, é possível ligar orações, enriquecer frases e evitar repetições desnecessárias — competências indispensáveis a partir do nível B1/B2.

Neste artigo, exploramos, passo a passo, o funcionamento de cada um destes pronomes relativos, com exemplos retirados do uso quotidiano em Portugal, para que possas aplicá-los com confiança nas tuas conversas e escritos.

O que são frases relativas?

Uma frase relativa (também chamada oração relativa) é uma oração subordinada que modifica um nome ou pronome — o chamado antecedente. Funciona como um adjectivo: acrescenta informação sobre alguém ou algo já mencionado na frase.

Considera estes dois exemplos:

No segundo exemplo, a frase relativa introduzida por que substitui a repetição do nome «filme» e torna a frase mais fluida e natural. Em português europeu, os pronomes relativos mais utilizados são três: que, quem e cujo. Cada um tem regras específicas que importa dominar.

O pronome relativo «Que»

Que é, de longe, o pronome relativo mais comum do português europeu. É invariável — não muda de forma consoante o género ou o número — e pode referir-se tanto a pessoas como a coisas, o que o torna o mais versátil dos três.

Usos principais de «que»

Quando que surge depois de uma preposição, a construção é mais formal e cuidada. Na linguagem oral e informal, os portugueses tendem a preferir estruturas mais soltas, como «A cidade que nasci lá» — uma construção coloquial muito frequente, mas que deve ser evitada na escrita formal.

Orações relativas explicativas vs. determinativas

É importante distinguir dois tipos de orações relativas em português:

  1. Determinativa (sem vírgulas): restringe o antecedente e é essencial ao significado. Ex.: Os alunos que estudaram passaram no exame.
  2. Explicativa (entre vírgulas): acrescenta uma informação acessória, não restritiva. Ex.: O meu irmão, que vive no Porto, vai casar em Setembro.

A distinção nem sempre é marcada na fala espontânea, mas é fundamental na escrita cuidada e em contextos formais.

O pronome relativo «Quem»

Ao contrário de que, o pronome quem refere-se exclusivamente a pessoas ou entidades personificadas. É igualmente invariável e usa-se geralmente precedido de preposição, ou quando é sujeito de uma oração relativa explicativa.

Quando usar «quem»

Na língua falada, é muito comum usar que em lugar de quem, mesmo quando se fala de pessoas: «A professora que falo» em vez de «A professora com quem falo». No entanto, em contextos formais e na escrita, recomenda-se o uso correcto de quem acompanhado da preposição adequada.

O pronome relativo «Cujo»

Cujo é o pronome relativo que mais dificuldades levanta aos aprendentes de português europeu. Ao contrário de que e quem, cujo concorda em género e número com o nome que o segue — e não com o antecedente. Esta é a regra mais importante, e também a que é mais frequentemente ignorada.

Formas de «cujo»

Cujo exprime uma relação de posse ou pertença entre o antecedente e o nome que o acompanha. É equivalente a «de quem», «do qual» ou «da qual», mas com uma construção mais elegante e concisa, preferida em registos formais e literários.

Erros comuns com «cujo»

O erro mais frequente é intercalar o artigo definido entre cujo e o nome seguinte. Em português europeu cuidado, a forma correcta é:

A intercalação de artigo é um hipercorrectismo a evitar. Outro equívoco comum é fazer concordar cujo com o antecedente em vez de com o nome que lhe segue imediatamente — o que está errado e compromete a correcção da frase.

Comparação e dicas práticas

Para consolidar a aprendizagem das frases relativas em português europeu, vale a pena ter em mente uma síntese simples:

Uma estratégia útil para verificar se estás a usar cujo correctamente é substituí-lo pela expressão «de quem» ou «do qual / da qual» e confirmar que a frase mantém o sentido. Por exemplo: «A escritora cuja obra mais aprecio» → «A escritora de quem mais aprecio a obra». Se funcionar, a construção com cuja está correcta.

No que diz respeito a que e quem, a chave está no antecedente: se for uma coisa, usa-se que; se for uma pessoa e houver preposição, prefere-se quem. Em registos informais, que tende a substituir ambos — mas conhecer a norma culta permite sempre fazer escolhas conscientes.

Frases relativas no discurso real

O domínio das orações relativas em português europeu não se limita à gramática de sala de aula. Estas estruturas aparecem constantemente em textos jornalísticos, literários e na conversa quotidiana. Saber usá-las bem é um sinal claro de fluência e permite construir um discurso mais coeso e sofisticado.

À medida que avançamos nos níveis de proficiência — nomeadamente B2 e C1 —, espera-se que os aprendentes dominem não só as formas básicas de que e quem, mas também construções mais elaboradas com preposições, e o uso preciso de cujo em contextos formais. A prática de leitura extensiva em português europeu é, por isso, um complemento indispensável ao estudo gramatical.

Conclusão

As frases relativas em português europeu são uma ferramenta poderosa para tornar a comunicação mais rica, precisa e natural. Compreender as diferenças entre que, quem e cujo — e saber aplicá-los nos contextos correctos — é um passo fundamental na progressão linguística de qualquer aprendente. Com prática regular e atenção às nuances da língua, estas estruturas tornar-se-ão cada vez mais intuitivas e fluentes.

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